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09/11/2018 às 06:11
 

Apesar da trama fraca, 'Segundo Sol' 'deu certo' ao exibir Bahia e reviver clássicos do Axé

Apesar da trama fraca, 'Segundo Sol' 'deu certo' ao exibir Bahia e reviver clássicos do Axé

Foto: Reprodução / Instagram

Após 155 capítulos, a novela “Segundo Sol” apresenta suas emoções finais nesta sexta-feira (9). A trama das 21h da Rede Globo, escrita por João Emanuel Carneiro, deslocou o olhar de milhões de brasileiros para a Bahia, em especial para a primeira capital do Brasil: Salvador. Ambientar uma história na “Terra do Axé” não é nenhuma novidade, vide “Gabriela” (1975, 2012), “Tocaia Grande” (1995), “O Bem Amado” (1973) e a mais recente “Velho Chico” (2016).

 

Porém, desta vez, o enredo optou por uma narrativa urbana, que não ficou presa aos pontos turísticos, como o Pelourinho ou Farol da Barra. Foi além: deslocou o olhar para uma Salvador com ar de metrópole, ao apresentar, por exemplo, o centro financeiro do qual Roberval (Fabrício Boliveira) fazia parte e explorou o tradicional bairro Santo Antônio Além do Carmo – até então pouco conhecido pelos turistas.

 

Inclusive, a visibilidade a atores baianos foi outro ponto positivo da trama. Apesar das críticas – justificáveis e pertinentes – pela falta de representação em papéis de destaque, já que a Bahia é composta 85% por negros e negras, de acordo com o IBGE (veja aqui), nomes como Fabrício, Claudia Di Moura (Zefa), Danilo Mesquita (Valentim), Vladimir Brichta (Remy) – mineiro, criado na Bahia -, Danilo Ferreira (Acácio), Zeca de Abreu (Januária), Carlos Betão (Delegado Viana) e Narcival Rubens (Galdino) tiveram bons desdobramentos.

 

Além deles, integraram o elenco outros baianos, como Ciro Sales (Du Love), Camila Lucciola (Katiandrea), Hugo Moura (Robinho), Dja Marthins (Quitéria), Milla Araújo (Fabiana), Ariane Souza (Meire), Ella Nascimento (Ludi), Renan Motta (Márcio Victor), Jean Amorim (Carlinhos), Paulo Borges (Edilei, o ex-marido de Luzia), Jackson Costa (Lourival, falecido marido de Selma), Aldri Anunciação (Artur, funcionário da empresa de Roberval), Arlinda Lima di Baio (Maria, empregada de Roberval), Ingra Liberato (Fátima, mãe de Narciso) e Raíssa Xavier (Berta, irmã de Narciso). O número representa 41% da escalação total.

Foto: Reprodução / Instagram

TRAMA

Em relação à história, “Segundo Sol” deixou a desejar e carregará o fardo de ser o enredo mais fraco de João Emanuel para o horário até o momento. Inicialmente vendida como a trama do cantor Beto Falcão (Emílio Dantas), que simula sua morte, e a família que ganha em cima do ídolo morto, a história contada nos seis meses foi da saga de Luzia (Giovanna Antonelli), que viveu fugindo da polícia ao longo de 20 anos, sonhando em reunir a família separada pelas vilãs Laureta (Adriana Esteves) e Karola (Deborah Secco).

 

Passiva, a “marisqueira” passou a novela inteira evitando as inimigas, caindo em armadilhas e sendo presa três vezes injustamente. Além de ter protagonizado situações duvidosas, como passear pela cidade sempre com a mesma peruca sem ser reconhecida, após ter ficado nacionalmente conhecida depois das declarações de Beto.

Foto: Divulgação

Com o enredo principal sem força, núcleos paralelos se destacaram. O desenvolvimento de Rosa (Letícia Colin) e a química demonstrada com Ícaro (Chay) foi um dos pontos altos. A história de Nice (Kelzy Ecard), que aos poucos vai se livrando do marido machista, Agenor (Roberto Bonfim), foi outro acerto, apesar de ser requentada de histórias anteriores do autor, como a Catarina (Lilian Cabral) de “A Favorita”. Aliás, mais uma vez, o dramaturgo promoveu uma ideia de “cura gay” com os relacionamentos de Maura (Nanda Costa).

 

Na história, a policial começou como amante de Selma (Carol Fazu) e com diversos dilemas morais, como o medo de assumir-se homossexual para os pais. Após enfrentar a todos – inclusive sendo expulsa de casa por Agenor - e assumir o relacionamento com a amada, ela começa a se interessar por Ionan (Armando Babaioff). Situações semelhantes foram apresentadas pelo autor em "Da Cor do Pecado" (2004), "Cobras e Lagartos (2006), "A Favorita" (2008),  “Avenida Brasil” (2012) e “A Regra do Jogo” (2015) (relembre aqui).

 

Os conflitos da família Athayde levantaram debates sobre racismo, patriarcado e o lugar da família. O público ainda foi brindado com a entrada de Renata Sorrah vivendo a mãe de Laureta. Dulce é uma senhora esquizofrênica que vive em uma casa imunda, cheia de lixo e repleta de galinhas tratadas como filhas. A mulher enlouqueceu depois que foi abandonada por Nestor (Francisco Cuoco), quando o então marido a traiu com Naná (Arlete Salles). Inspirada, a veterana entrou nos últimos capítulos e protagonizou cenas ótimas ao lado de Adriana e Vladimir. O telespectador ainda vibrou com o fato de “Nazaré” ser a mãe de “Carminha”, personagens imortalizadas pelas atrizes.

Foto: Reprodução / Rede Globo

Contudo, um assunto que merecia destaque foi minimizado: Candomblé. No release entregue à imprensa, a produção pretendia abordar a incumbência de pai Didico (João Acaiabe) em transferir para a filha Doralice (Roberta Rodrigues) a responsabilidade de ser a próxima líder espiritual do terreiro, a mãe de santo. Porém, diante da resistência dela em assumir o posto, ele investira em Groa (André Dias), seu filho de santo. No ar, a história foi picotada e só mostrou o estrangeiro substituindo o veterano.

 

Em relação à audiência, “Segundo Sol” não fez feio. Apesar da trama pouco empolgante – como é de se esperar de um autor com o passado que tem – sua média está em 32,7 pontos e 46,5% de share, sendo que os últimos capítulos estão ultrapassando os 40 pontos em São Paulo. Cada ponto equivale a 71.8 mil domicílios. “O Outro Lado do Paraíso” teve 172 capítulos e média total de 38 pontos de audiência. Sua antecessora, “A Força do Querer”, de Glória Perez, terminou também com 172 capítulos e 36 pontos. Contudo, o resultado da atual trama é melhor que a anterior de JEC, “A Regra do Jogo”, que encerrou com 28 pontos. Vale lembrar que, na época, a história foi tida como complexa e enfrentou “Os Dez Mandamentos”, sucesso da Record.

 

TRILHA SONORA 

Se por um lado a história principal deixou a desejar, a seleção das músicas foi um acerto. O produto da Globo optou por reeditar clássicos do Axé. Para isso, trouxe novos intérpretes para sucessos do Carnaval daqui. "Baianidade Nagô", sucesso da banda Mel, por exemplo, ganhou a voz de Maria Gadú. Já "Beija-flor" (Xexéu e Zé Raimundo, 1993), conhecida pela Timbalada ficou com o pernambucano Johnny Hooker. O pagodeiro Thiaguinho gravou o samba-reggae "Beleza Rara" (Ed Grandão e Nego John, 1996), o forrozeiro Wesley Safadão fez uma versão de "Vem Meu Amor", sucesso da Banda Eva, que já conta com quase 10 milhões de visualizações no YouTube. A Alcione coube "O mais belo dos belos", hit na voz de Daniela Mercury.

 

Já "Swing da Cor", de Luciano Gomes (1991) ganhou uma versão em inglês intitulada "Swing all the colors". A abertura também merece menção.  A produção elaborou uma chamada gravada em diversos pontos de Salvador e deu uma nova roupagem ao sucesso de Cássia Eller "O Segundo Sol" através da banda Baiana System. Além disso, duas canções da novela fizeram a cabeça do público e devem ser sucesso no verão e Carnaval 2019: “Axé Pelô” e “Sal na Pele”. Veja:

Diante de tanta visibilidade, o turismo no estado também está sendo beneficiado. Em junho, quando a novela tinha dois meses no ar, o Kayak - empresa norte-americana cujo principal produto é um metabuscador de viagens – apontou que o interesse dos brasileiros em visitar a capital baiana mais que dobrou, com o crescimento de 112% por procura de passagens áreas (veja aqui). Em entrevista ao Bahia Notícias, o secretário de Turismo da Bahia, José Alves, celebrou o bom momento.

 

“A gente já vinha percebendo interesses pelos nossos destinos por conta das ações que estamos fazendo, porém a novela veio para coroar. A ocupação em Salvador melhorou bastante. Acredito que será o melhor verão de todos os tempos. A previsão é de mais de 6 milhões de turistas (esse ano foi de 5 milhões e 400 mil). Teremos um incremento da chegada de navios de 7,5% em relação ao ano passado. A expectativa é que a gente ultrapasse o número de voos extras, que na temporada passada foi de 3.400”, comemorou.

 

PÚBLICO DE CASA

Diante de tantos acontecimentos e com uma sensação de “pertencimento”, os baianos reagiram a quase tudo que acontecia na trama. Desde a vigilância no sotaque e hábitos inusitados como o dia que Manuela (Luisa Arraes) pediu um acarajé com água de coco (veja aqui), ou as brigas entre os torcedores do Bahia e Vitória por conta dos embates entre Ionan (Armando Babaioff) e Clovis (Luis Lobianco), até os desdobramentos dos personagens. Tudo foi questionado na internet. Por isso, o BN questionou seu público sobre a avaliação final da trama. Confira algumas respostas:

Arte: Bahia Notícias

 
 
 
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